Como funciona a perícia social do INSS (e o que o assistente social vai avaliar na sua casa)
Se você pediu o BPC/LOAS (Benefício de Prestação Continuada) ou um benefício por incapacidade e o INSS marcou uma perícia social, é normal ficar com dúvidas e até apreensivo. Afinal, um assistente social vai até a sua residência avaliar sua realidade. Mas calma: essa visita não é uma fiscalização para ‘pegar’ o segurado, e sim para confirmar a situação social e familiar declarada no pedido. Neste post, explicamos de forma simples o que é a perícia social, o que será avaliado e como se preparar.
O que é a perícia social do INSS?
A perícia social, também chamada de avaliação social, é feita por um assistente social do INSS para analisar as condições de vida do requerente. Ela é exigida principalmente em dois casos:
- BPC/LOAS (Lei 8.742/93 e Decreto 6.214/07): benefício de 1 salário mínimo pago à pessoa idosa (65 anos ou mais) ou à pessoa com deficiência de baixa renda.
- Benefícios por incapacidade (auxílio por incapacidade temporária e aposentadoria por incapacidade permanente), conforme a Lei 8.213/91 e o Decreto 3.048/99, sempre que houver necessidade de avaliação biopsicossocial da deficiência.
Requisitos e direitos envolvidos
Para entender por que a perícia social existe, vale conhecer os requisitos básicos:
- BPC para pessoa com deficiência: impedimento de longo prazo (mínimo de 2 anos) de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, somado à renda familiar per capita de até 1/4 do salário mínimo (podendo chegar a 1/2 em casos específicos).
- BPC para idoso: 65 anos ou mais e mesma exigência de renda.
- Benefícios por incapacidade após a EC 103/2019 (Reforma da Previdência): exigem qualidade de segurado, carência (quando o caso) e incapacidade comprovada.
- Direito ao contraditório: você pode contestar o laudo social e apresentar recurso administrativo em até 30 dias.
O que o assistente social vai avaliar na sua casa
A visita costuma durar cerca de 30 a 60 minutos. O profissional observa e pergunta sobre:
- Composição familiar: quem mora na casa, idade, parentesco e se trabalham.
- Renda da família: salários, bolsas, pensões, ajudas de terceiros.
- Condições da moradia: se é própria, alugada ou cedida; número de cômodos; saneamento; estado de conservação.
- Despesas mensais: remédios, alimentação, água, luz, aluguel, transporte.
- Situação de saúde: diagnósticos, tratamentos, uso de medicamentos, internações.
- Autonomia e participação social: se o requerente consegue trabalhar, estudar, se locomover, cuidar de si mesmo.
- Barreiras enfrentadas: de acessibilidade, atitudinais, sociais e econômicas (no caso de pessoa com deficiência).
Como se preparar e proceder durante a perícia
- Confirme a data e o horário da visita pelo aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135.
- Separe documentos pessoais de todos os moradores: RG, CPF, certidões, carteira de trabalho e comprovante de residência.
- Reúna comprovantes de renda e despesas: contracheques, extratos, contas de água, luz, aluguel, recibos de medicamentos.
- Organize relatórios médicos, exames e receitas recentes que comprovem a deficiência ou incapacidade.
- Esteja em casa no dia marcado, com o requerente presente. A ausência pode resultar em indeferimento do benefício.
- Responda com honestidade e clareza, sem exageros e sem minimizar dificuldades.
- Mostre a realidade da casa: deixe o assistente social observar os cômodos, sem ‘arrumar’ demais o ambiente.
- Anote o nome do profissional e peça o protocolo da visita.
- Após o resultado, acompanhe pelo Meu INSS. Em caso de indeferimento, é possível recorrer.
Dicas práticas para o dia da visita
- Não tente esconder bens ou pessoas que moram na casa: a omissão pode ser considerada fraude.
- Se houver dependentes com deficiência ou idosos no domicílio, deixe isso claro, pois influencia no cálculo da renda per capita.
- Liste todos os gastos com saúde: medicamentos contínuos, fraldas, suplementos, fisioterapia. Esses valores podem ser deduzidos da renda em alguns casos.
- Se o requerente é pessoa com deficiência, descreva as limitações no dia a dia: dificuldade para tomar banho, comer, sair sozinho, trabalhar.
- Peça ajuda a um familiar para acompanhar a visita, principalmente se o requerente for idoso ou tiver dificuldades de comunicação.
- Guarde cópia de tudo que entregar e nunca pague nada ao assistente social — a perícia é gratuita.
Por que buscar ajuda jurídica
A perícia social é decisiva: um relatório mal interpretado pode levar ao indeferimento do benefício, mesmo quando o direito existe. Um advogado previdenciário especializado pode orientar você antes da visita, ajudar a reunir provas, acompanhar o processo administrativo e, se necessário, ingressar com ação judicial para garantir o benefício. Com base na Lei 8.213/91, na Lei 8.742/93, no Decreto 3.048/99 e nas mudanças trazidas pela EC 103/2019, o profissional saberá apontar o melhor caminho para o seu caso.
Dica final: não encare a perícia social como um ‘teste’ que você precisa passar fingindo algo. Seja transparente, prepare a documentação com antecedência e, na dúvida, consulte um advogado previdenciário antes da visita. Essa pequena preparação pode ser a diferença entre receber ou não o benefício a que você tem direito.
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